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Misturando cores

Eu sou branco, você é vermelha
Quando estamos juntos somos rosa
Antes de conhecer você, até que eu vivia bem sozinho.
Comia o que queria, na hora que eu bem entendia. Era libertade, independência e auto suficiência. Quando vi você, fiquei feliz e vermelho de paixão. Nem percebi que eu não era mais branco.
Foi então que o vermelho ameaçou me sufocar. Comecei a me irritar e brigar com você.
No fundo porque você era vermelha,
E não branca, como eu queria. por vezes, percebi-me querendo mudar sua cor.
Você soube permanecer vermelha, Não se tornou branca, Branca nada acrescenta ao branco.
E assim, entre nós, foi-se formando a rosa. Mas tive receio de perder minha personalidade. Temi perder minha individualidade.
Descobri: branco transforma-se em rosa, Não é perder-se desestruturar-se e desaparecer…
É crescer complentar-se com a vermelha. Meu temor à rosa deu lugar ao prazer da convivência, do relacionamento do amor e ser amado. Dá mais trabalho porque nada pode e deve ser só branco, Mas tudo pode ser mais gostoso e rico co a vermelha Com ela vive-se o prazer a cor, o amor.
Ser rosa e carregar dentro de si avermelha.
É ter sua presença pela saudade, na solidão. É destacá-la no meio da multidão.
Pode ser bom um lanche branco, Mas nada supera um singelo jantar rosa.

Içami Tiba

Fotos de flores http://www.flickr.com/photos/martafelipe/sets/72157601286987724/

Um beijo

Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior…
Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, batismo e extrema-unção, naquele instante por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, beijo divino! e anseio delirante, na perpétua saudade de um minuto…

-Olavo Bilac-

 

A Bronca de Rui Barbosa

 Diz que o Rui Barbosa, ao chegar em sua casa, ouviu um esquisito barulho vindo do seu quintal.   Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:
- Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência.
Se fazes isso por necessidade, transito; mas se é para zombares de minha alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que reduzir-te-à à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”
E então o ladrão disse:
- Ô moço, levo ou deixo os patos?
:(     :D

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.  E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é…Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de… Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.  

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama… Amor-próprio.  

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.  Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a… Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.  Hoje vivo um dia de cada vez.
Isso é… Plenitude.  

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é… Saber viver!!!

Charles Chaplin

“Vem por aqui”

 Cântico negro

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços, E nunca vou por ali…
A minha glória é esta: Criar desumanidades! Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí… Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas, Tendes jardins, tendes canteiros, Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura ! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista “Presença”, e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — “Poemas de Deus e do Diabo” (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

Uma Arte

Não é tão difícil dominar a arte de perder;  tanta coisa parece preenchida pela intenção de ser perdida  que sua perda não é nenhum desastre.
Perca alguma coisa todo dia.
Aceite a novela das chaves perdidas,  a hora desperdiçada, aprender a arte de perder não é nada.   Exercite-se perdendo mais, mais rápido:  lugares, e nomes e… para onde mesmo você ia viajar?  Nenhum desastre…
Perdi o relógio de minha mãe. E olha, minha última e  minha penúltima casas ficaram para trás.  Não é difícil dominar a arte de perder.
Perdi duas cidades, adoráveis. E, mais ainda, alguns domínios,  propriedades, dois rios, um continente.  Sinto sua falta, mas não foi um desastre.
- Até mesmo perder você (a voz gozada, o gesto que  eu amava) eu não posso mentir. É claro que não é tão difícil dominar  a arte de perder apesar de parecer (pode Escrever!) desastre.

Elisabeth Bishop

Dia de São Valentim

Romance
Dia de São Valentim dia cai em 14 de fevereiro a cada ano. Este é um dos dias mais aguardados entre todas as ocasiões que celebram relacionamentos. Uma vez que, trata-se de uma das mais belas e intrigantes de todas as emoções humanas, amor. É devido a esse fato que o Dia dos Namorados tem tom misterioso e atraente para ele. Há muitas coisas de que construir sobre essa fascinação que temos com esses aspectos de amor e dia dos Namorados.

Livros sobre romance
Desde sempre as pessoas têm usado a palavra escrita para descrever os sentimentos de amor e romance. Este foi colocar toda para os leitores através de prosa e poesia apresentada através de livros. Embora, livros estes dias estão perdendo sua conexão com as pessoas de hoje “. Mas, há aquelas pessoas que ainda estão no amor com os livros de leitura. Na verdade, este é um meio que passou por uma série de mudanças no passado recente ainda, com a introdução de e-livros. Os livros são uma bela expressão de amor e, portanto, pode ser usado alternadamente como o perfeito presentes do dia do Valentim para alguém que é apaixonada pelo amor e livros.

Filmes românticos.
O conceito de filmes e filmes foi introduzido apenas cerca de um século para trás, mas foi pego rápido com o público em geral. Este é um meio que envolve os sentidos mais importantes em nós seres humanos, visão e som. Os filmes têm o poder de nos transportar para a fantasia da realidade. O gênero mais popular entre os filmes é de romance. E a razão para o mesmo é muito evidente. Afinal, as pessoas adoram ver os outros no filme vivendo a vida de amor e positividade.

Música Romântica
A base de toda a criatividade é a gama de emoções humanas. A música também não perdeu fora nesta inspiração. Qualquer pessoa associada à música, se um compositor ou um músico ou um cantor é um amante de coração. Ele / Ela, que é um admirador ou um amante de música associados com sentimentos e emoções também. Música é poesia em ação, e sempre foi inspirada nas várias facetas do amor, assim como as outras emoções da natureza humana. Música romântica faz um acompanhamento como um grande presente do dia dos Namorados e é responsável por criar a atmosfera em uma noite planejada em torno do tema do amor.

Casais apaixonados
O amor está no companheirismo, é de companheirismo e amizade. Os casais são símbolos de amor desde que os amantes têm sido universalmente entendida como em pares. Assim, tudo que está associado com o amor reconhece esses aspectos em sua totalidade. De presentes do dia dos Namorados a todos os símbolos do amor foram criados tendo isso em mente. A mensagem de amor próprio nome diz, ‘Eu te amo “, que implica claramente a presença de mais de uma em uma associação de amor.   Esta era uma visão detalhada de todos os aspectos do amor que o amor associado com romance. Afinal, o dia dos namorados foi conhecido principalmente para o romance que é trazida à vida neste dia.

Feliz dia :)

 

Esperar

 Hoje sábado  com chuva em Spaulo, sem muitas opções o jeito foi ficar em casa, ler é a melhor alternativa para sair do tédio.

Interessante lembrei-me que casei no dia vinte e um de janeiro de l984 com uma pessoa maravilhosa.Cumprimos o juramento, até que a morte nos separou.
Algumas coisas jamais serão esquecidas…foi um tempo cheio de amor que passou.

Semana parada,lenta…
Enquanto isso vou lendo Cora Coralina, encontrei algumas palavras que se encaixam em minha espera.
Boa noite e bom final de semana.
Bjs :)

Se temos de esperar,
que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida.
Se for para semear,
então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.
-Cora Coralina-

Que poema de Fernando Pessoa é você?

Descubra também:
http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/que-poema-de-fernando-pessoa-e-voce.shtml
Gostei do resultado combinou perfeitamente comigo. :)

Apontamento, Álvaro de Campos

“A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
(“Apontamento”; 1929)

Cosmopolita, trilíngue (inglês e francês, além do português natal), alma andarilha, Álvaro de Campos é o oposto de Caeiro. Gosta das máquinas e engrenagens e das sensações da grande cidade – esse é o seu lado eufórico. Mas também é o heterônimo de Pessoa que mais se desiludiu com a própria poesia, admitindo que tudo o que escreveu não passou de palavras, ilusão.