Passagem das horas

Semana começando, mês terminando e lá vem junho me envelhecendo outra vez. São tantas perguntas para o dia cinco de junho e eu nada decidi. Nem sei se quero decidir alguma coisa.
Sei apenas que estou mais calma, flexível e cheia de boa vontade, menos perguntas para deixar a vida fluir. Que seja no tempo do tempo, nem tão rápido e nem tão lento.
Estou pronta!
🙂
meiavermelha

A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,

Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

F. Pessoa

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Um comentário sobre “Passagem das horas

  1. martafelipe

    Reblogged this on Marta Felipe and commented:

    Junho me tira do eixo, são tantas sensações, escondo-me.
    Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei…

    Vou reblogar por falta de inspiração. Beijinhos

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