Moema

moemaaviaoMartaFelipe

Espiono sempre que ouço o avião se aproximando, o som da televisão some e quem está na sala cala.
Não suportaria viver assim, com aviões beirando minha janela, vibrando vidraças e portas.
Ruído insano e chato atravessando o meu

silêncio, minha leitura, e as minhas conversas na sala com as crianças.

E pensar que o Moema é considerado um ótimo lugar para morar em São Paulo – mentira em minha opinião.
Aliás, Moema é um nome de origem tupi-guarani, e muitos sites apontam seu significado como sendo “doce”. Infelizmente, há muita etimologia incorreta sobre palavras indígenas, e na verdade, em tupi antigo, Moema significa “mentira”.
Fiz a foto da janela do quarto do meu filho, o cenário poderia ser perfeito se não fosse tantas deficiências. Muitos bares e restaurantes com música ao vivo e nos finais de semana a coisa piora e o barulho aumenta.
Graças a Deus meu filho mudou do Brasil e breve meus netos e nora estarão indo também.

Não estou exagerando, mas as aparências se enganam verdadeiramente. Gosto de ter a opção de poder morar em uma casa, sem a necessidade de ouvir vozes fora de hora, cheiro de tempero das cozinhas diversas que saturam meu olfato.
Dividir espaço é complicado, imagine dividir seu momento de trégua.

É delicioso poder chegar em minha casa, bulir nos vasos, regar as plantas, preparar o café e sentar no quintal sem ninguém espionando.

Nenhum avião passando, silêncio, paz. Mil vezes ouvir as moscas voando a ter que sentir as vidraças vibrando. Não nasci para viver “engaiolada”.

Mais vale um gosto a um tostão no bolso, dizia meu pai com as escolhas dos filhos.
Finalizo com ela.

Boa tarde!

Curiosidade:
Congonhas tem 270 pousos e decolagens por dia, entre 6h e 22h25, segundo a Anac (órgão da aviação civil). Aos finais de semana, o tráfego cai: são 182 voos aos sábados e 209 aos domingos.

“Quem vem viver aqui já sabe que existe o aeroporto, ele chegou muito antes. No final, as pessoas gostam daqui”

O aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, tem 45 obstáculos na rota de aproximação dos aviões –entre eles prédios residenciais e comerciais, alguns 13 m acima da altura máxima definida pela Aeronáutica.

Além de prédios, há árvores, dois hospitais e um centro comercial, todos em Moema ou no Jabaquara.

A Aeronáutica forneceu as informações à reportagem após ser instada a fazê-lo via Lei de Acesso à Informação.

Os obstáculos ficam dentro do chamado “cone de aproximação”, por onde os aviões passam, reduzindo a altura gradativamente, para aterrissar em Congonhas.

Isso não significa que os aviões baterão nos prédios, mas reduz a margem de segurança das aeronaves prestes a pousar, segundo Carlos Camacho, diretor de segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

O cone é calculado para permitir a aterrissagem sem riscos.

Tolerância

Os edifícios e demais obstáculos que já estão na área de aproximação do aeroporto serão “tolerados” até que sejam reformados, disse a Aeronáutica, conforme portaria de 2008.

Quando uma obra de modificação acontecer, “o órgão competente deverá impor o rebaixamento exigido pelo gabarito”, disse o órgão, por meio de nota.

Se notificada pela Aeronáutica, a prefeitura também atua nos casos. “A Prefeitura de São Paulo sempre verifica e presta esclarecimentos às solicitações da Aeronáutica”, disse a administração, em nota.

 

 

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